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OS JOVENS E O VELHO TRÂNSITO
Gazeta Mercantil - SP
A3
Opinião
2007-09-18

* Áurea Rangel

O tema escolhido para a Semana Nacional de Trânsito 2007 – de 18 e 25 de setembro – não poderia ser mais apropriado: “jovem: paz e amor no trânsito” leva a uma reflexão sobre o número de vidas perdidas nas estradas e vias públicas entre a população jovem.

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado por ocasião da 1ª Semana Mundial das Nações Unidas de Segurança Viária em abril deste ano, cerca de 1,2 milhão de pessoas morrem anualmente vítimas de acidentes rodoviários.
Isso significa 2,1% da mortalidade mundial. Quarenta por cento das mortes são de crianças e jovens entre zero e 25 anos, sendo que 75% deste total corresponde ao sexo masculino.

Também no Brasil os acidentes de trânsito são uma das principais causas de óbitos na juventude. Segundo dados do Ministério da Saúde, a faixa etária mais afetada está entre 20 e 39 anos, totalizando 45%. No País, entre os adolescentes, os acidentes de trânsito já são a segunda principal causa de falecimento, sendo que, em 2005, 3.976 pessoas entre 10 e 19 anos perderam a vida em estradas e vias públicas.
Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), entre os anos 2001 e 2003, quantificou os custos dos acidentes de trânsito em áreas urbanas e concluiu perdas anuais da ordem de R$ 5,3 bilhões.

Ainda segundo o instituto, existem outros impactos econômicos em conseqüência dos acidentes de trânsito que somam mais R$ 24,6 bilhões anuais. Integraram este cálculo, entre outros itens, cuidados com saúde e perdas materiais.

A infra-estrutura viária é apontada pelo relatório da ONU como um dos itens que contribuem para o agravamento do quadro, no qual 85% do total de mortes ocorre por colisões em países pobres ou em desenvolvimento, como o Brasil. É sabido que a falta de condições adequadas nas estradas não é a única causa de dados tão alarmantes. Conta, muito, a falta de sinalização adequada.

Mas esta deficiência grave da malha rodoviária brasileira contribui enormemente para que as ocorrências sejam cada vez mais freqüentes. Segundo levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transporte) cerca de 72% da malha rodoviária nacional está em condições precárias.
O Pro Sinal, que visa instalar dispositivos de segurança para melhores as condições de trafegabilidade nas estradas federais, ficou pelo caminho. O valor inicial do investimento era de R$ 278 milhões. Deste total, R$ 137 milhões foram utilizados ainda no ano passado, quando o programa foi lançado pelo presidente Lula.

O restante, previsto para dar continuidade às obras em 2007, não foi liberado pelo Governo Federal. Enquanto isso a conta a ser paga só cresce. Não se investe milhões, mas paga-se faturas na casa dos bilhões. Somada ao número de cadáveres cada vez mais jovens enterrados na vala comum da negligência.


*Especialista em sinalização horizontal e infra-estrutura viária.

 
 
 
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