Voltar

OS BOEINGS DAS ESTRADAS

*Áurea Rangel

Números levantados pela Polícia Rodoviária Federal apontam para o que foi chamado de “boa” notícia: houve uma redução de cerca de 50% no número de óbitos nas estradas federais no Reveillon em comparação com o feriado de Natal. Ainda segundo essas estatísticas, podemos comemorar os 295 mortos no total das festas de fim de ano, computados em menos de uma semana. Algo como um Airbus A320 e meio se acidentando em Congonhas, mas sem a cobertura maciça da mídia e nem a mesma comoção nacional.

O que faz a PRF acreditar serem promissoras as estatísticas mais baixas de mortes no Ano Novo são os índices históricos que apontam sempre para um número maior de vítimas em acidentes automobilísticos neste segundo feriado das festas de fim de ano. A própria Polícia analisa que o feito foi possível porque a fiscalização tornou-se mais efetiva neste segundo período. A quantidade de veículos conferidos subiu de 96.161 mil para 105.083. A imprudência foi maior em Minas Gerais, estado que registrou o maior número de acidentes (234). Em seguida, vieram Santa Catarina (190), Rio Grande do Sul (190), Rio de Janeiro (184), São Paulo (123) e Bahia (106). Minas também lidera o ranking do número de mortos: 14. Goiás vem em segundo lugar (9), seguido por Rio Grande do Sul (8), Rio de Janeiro (8), Maranhão (8) e Espírito Santo (7).

A pergunta é: se está comprovado que fiscalizar a imprudência dos motoristas em relação aos abusos de velocidade e outras infrações é uma medida salutar para evitar tragédias por que tal procedimento não é uma praxe destas autoridades de trânsito? Ao anunciar os dados da Polícia Rodoviária Federal, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que em fevereiro o ministério pretende enviar um pacote de projetos ao Congresso sugerindo mudanças no Código de Trânsito Brasileiro. A carta irá propor punições mais severas aos infratores e contratar três mil novos patrulheiros rodoviários este ano para melhorar a fiscalização nas estradas federais. Quantos boeings ainda precisarão cair pelas rodovias para que as autoridades exerçam sua função de autoridade e preservem a vida?

Dados totalitários mostram o aumento dos acidentes, de mortos e de feridos nas estradas brasileiras em 2007 na comparação com 2006. No ano passado foram registrados 122,9 mil acidentes em rodovias federais — 9% a mais que no ano anterior, quando ocorreram 112,7 mil acidentes. As mortes aumentaram ainda mais no mesmo período: 10,89%. Passaram de 6.168 para 6.840. E mais pessoas se feriram nesses acidentes. O aumento foi de 69.624 em 2006 para 75.006, no ano passado, mais 7,3%.

A imprudência do motorista que dirige sem se deter às normas nacionais de tráfego é determinante para esta verdadeira guerra civil sobre rodas. Mas a negligência das autoridades que não fiscalizam não é desprezível. É simples apontar o dedo em riste para a malfadada leviandade dos condutores. Mas ficam no acostamento da impunidade estas próprias autoridades a quem cabe o dever de sinalizar e manter em condições de tráfego a malha rodoviária brasileira. E pouco ou nada fazem. Se o motorista abusa de sua autoridade como condutor pode causar um acidente trágico. Mas não menos trágico é um acidente promovido pela falta de qualquer sinalização horizontal em uma Régis Bittencourt fadada a esperar a mão da iniciativa privada para ganhar características de rodovia. Nos dois casos é a vida que está em jogo. E nos dois casos há culpados. 

*Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais e especialista em sinalização horizontal e infra-estrutura viária.

 

 

 
 
 
Hot Line Indústria e Comércio Ltda.

Matriz: Av. Monteiro Lobato, nº 2.938 - Vila Miriam - Guarulhos/SP - CEP: 07190-000
Filial de fábrica: Rua Colônia Leopoldina, nº 434 - Jd. Nova Cumbica - Guarulhos / SP - CEP: 07220-040
Fone/Fax: (11) 2487-5743 E-mail: faleconosco@hotlinetintas.com.br
 
© Copyright 2007. Todos os direitos reservados. Bark - Web Design, Desenvolvimento de sites, Comércio Eletrônico, Intranets e CRM