CUIDADO PARA NÃO CAIR DA BICICLETA
* Áurea Rangel
Investir em transportes alternativos como a bicicleta em uma cidade onde a saturação de veículos é evidente, não é apenas uma idéia ecologicamente correta, mas uma necessidade econômica de uma cidade onde um congestionamento de 90 quilômetros em uma manhã de quarta-feira com rodízio, sem chuva, sem acidentes e sem anteceder um feriado já não causa mais estranheza. Mas deveria.
Trata-se de uma capital com 10,5 milhões de pessoas - 17,5 milhões se contarmos toda a região metropolitana - e uma frota de veículos em torno de cinco milhões. Em outras palavras, é um lugar inóspito para praticantes do ciclismo. São apenas 4,5 quilômetros de ciclovias em vias públicas.
A 3ª edição do Dia Mundial Sem Carro, realizado em 22 de setembro em todo País não sensibilizou os paulistanos: em pleno sábado, segundo dados da CET, a cidade registrou pontos de lentidão. As atividades programadas para marcar a data buscaram conscientizar a população sobre a necessidade de combater a poluição do ar, a emissão excessiva de gases do efeito estufa e estimular políticas públicas de transportes coletivos. Talvez a explicação para que a adesão não tenha obtido o êxito esperado venha dos próprios ciclistas paulistanos, que cobraram mais estrutura para o uso desse meio de transporte. E têm razão.
O Código de Trânsito Brasileiro permite que bicicletas trafeguem no mesmo sentido dos carros pelo acostamento das rodovias, desde que com equipamentos. O mesmo vale para as ruas das cidades. Mas não parece recomendável que em uma estrada onde a velocidade máxima é de 120 km/h, esta prática ocorra. O mesmo vale para as vias urbanas.
Para que este transporte torne-se viável e os ciclistas se sintam persuadidos a pedalar por São Paulo é necessário estrutura: ciclovias bem sinalizadas para que todos – ciclistas, motoristas e pedestres – estejam seguros ao ir e vir. A utilização de sinalização eficiente para demarcação de solo e placas indicativas, que assegurem visualmente o espaço que o ciclista tem para se trafegar fazem parte deste cardápio de transporte alternativo para grandes metrópoles. No Brasil, já há tecnologia especial para que este tipo de demarcação de solo seja perene. Tecnologia importada de países onde assegurar o direito do cidadão a utilizar outros tipos de transportes, que não os motorizados, não é exceção. É regra geral.
A Prefeitura de São Paulo diz que há cinco novos projetos de ciclovias. Uma delas, no bairro de Butantã, será a maior com 15 quilômetros de extensão. O prazo para a conclusão é 2010. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente programa a implementação de uma ciclovia de 12,5 quilômetros na Radial Leste dentro do projeto Caminhos Verdes para o final de janeiro de 2008.
Segundo o projeto, este corredor irá da estação Tatuapé a Corinthians-Itaquera, interligando oito estações da Linha Vermelha. Ao todo, esta Secretaria está investindo, em 2007, R$ 2 milhões em ciclovias em diversas regiões da cidade, incluindo o projeto de ciclovia ou ciclofaixa em Ermelino Matarazo, Zona Leste, implantação de ciclovia no Parque Linear Itaim, Zona Leste, e também na região da Casa Verde, Zona Norte. Ainda será pouco, mas é sempre um começo.
*Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais e especialista em sinalização horizontal e infra-estrutura viária.
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