Voltar
Entrevista com o Diretor Superintendente da Ecovias, Dr. Humberto de Souza Gomes

QUEM É QUEM
HUMBERTO DE SOUZA GOMES

Concessão: uma mão na roda para o desenvolvimento da infra-estrutura do País

Para o diretor superintendente da Ecovias, Humberto de Souza Gomes, a sociedade já está ciente dos benefícios que as rodovias sob concessão trazem ao usuário. Segundo ele, a evolução tecnológica que este novo modelo de gestão de rodovias trouxe ao segmento se traduz em segurança. Na entrevista a seguir, Humberto fala sobre trajetória profissional, sua experiência de dez anos com estradas concessionadas e sobre a parceria entre Ecovias e Hot Line.



HotNews – Qual sua formação, cargos anteriores e há quanto tempo está na Ecovias?
Humberto de Souza Gomes – Sou formado em engenharia civil, pós-graduado em gestão empresarial e atuo profissionalmente desde 1987. Primeiramente na área de construção pesada, na qual fiquei até 1997. Em 1997 ingressei na Ecovia Caminho do Mar, que administra a rodovia Curitiba-Paranaguá, levando ao porto e às praias do Paraná. Lá ingressei como gerente de engenharia em dezembro de 1997 e permaneci nesse cargo até dezembro de 2003. Em 2004 assumi a superintendência desta concessionária e me mantive lá até dezembro do ano passado. Desde janeiro de 2007 assumi como superintendente da Ecovias.

HN – O sistema de concessão rodoviária completou dez anos. Os usuários de rodovias aceitam que este serviço seja gerido pela iniciativa privada? Quais foram as contribuições que as concessões trouxeram para as estradas brasileiras?
HSG – A sociedade e os usuários já percebem o grande avanço com a gestão das concessionárias nos principais corredores do País. Pesquisas de opinião realizadas pelas empresas e também pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) apontam aceitação de mais de 80% em todas as concessionárias. Isso ocorre porque as boas condições de tráfego nos trechos sob concessão são evidentes. Com a inovação de gestão veio também mais tecnologia: materiais com mais performance, durabilidade e tudo isso revertendo em segurança e conforto aos usuários.

HN – Podemos afirmar que a segurança em estradas concessionadas é maior do que nas rodovias sob jurisdição pública?
HSG – A questão da segurança nem sempre foi tratada com a devida importância pelos poderes governamentais. Mas as concessionárias sempre tiveram esta cobrança por parte do usuário e do próprio Governo. Até então, as tecnologias mais caras – mas que trazem benefícios e suplantam em muito o seu custo – não eram aplicadas. Com as concessionárias este foco foi mudado. Isso porque precisávamos de materiais que durassem bem mais, que tivessem melhor performance e que, consequentemente, oferecessem mais segurança ao usuário.

HN – Mas os órgãos públicos não têm esta consciência da importância de se investir em tecnologia para conseguir uma estrada mais segura?
HSG – Sim. Este conhecimento existe. Mesmo porque há dentro do Poder Público órgãos técnicos com pessoal capacitado para entender esta equação entre boa tecnologia e segurança. Mas os departamentos de trânsito do País sempre conviveram com orçamentos escassos e subdimensionados.

HN – Então a concessão também é interessante para o Governo?
HSG –O País ainda precisa amadurecer politicamente em relação ao modelo de concessão. Estamos falando há dez anos na continuidade do programa de concessões federais, com destaque para a Regis Bittencourt – ligação SP-Curitiba e ligação Curitiba-Florianópolis – e Fernão Dias – ligação Curitiba-SP-Belo Horizonte. Estes troncos já estiveram em licitação à beira de serem concluídas. Mas voltou-se atrás e estamos até hoje discutindo questões de modelagem, retorno deste projetos, etc.

HN – A malha rodoviária brasileira em precárias condições é muito extensa, chegando a quase 80% do total. Este já não seria um fator preponderante para que não houvesse morosidade nestas decisões?
HSG – Evidentemente que sim, mas o programa de concessões ainda sofre questionamentos. Acredito que a vontade e a tendência é acelerar com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), fazendo os programas de concessão deslancharem.

HN – O sr. citou São Paulo como um Estado que está um passo à frente quando o tema é concessão rodoviária. Quais outros Estados e (ou) trechos interestaduais que já experimentam vantagens deste tipo de gestão?
HSG – O Paraná, que tem as principais ligações rodoviárias concessionadas. O Rio Grande do Sul também já vive esta realidade desde 1998. Nos troncos federais, o destaque vai para a ligação Via Dutra que, desde 1995, esta sob concessão. Nestes casos, as mudanças que aconteceram na infra-estrutura, no tocante à manutenção e conservação foram muito evidentes.

HN – Um dos percalços das rodovias é o custo dos pedágios. Como a Ecovias justifica estes valores?
HSG – Esses valores são definidos pelo poder concedente, não pelas concessionárias. Pelo que eu pude ver nestes sete meses em São Paulo e pela minha experiência no Paraná, o usuário entende muito bem o ganho por ter uma estrada pedagiada, apesar de questionar o valor da tarifa, como em qualquer serviço público. Em 2002, a Ecovias entregou a segunda pista da Imigrantes, uma obra de quase um bilhão de reais. Antes da entrega, convivíamos com muito engarrafamento, tanto de veranistas como também por conta do porto de Santos. Por isso os ganhos com a construção da nova pista da Imigrantes são muito bem assimilados pelos usuários que pagam pedágios na Ecovias, que perceberam os benefícios em função do montante que foi investido e as vantagens proporcionadas. Não havia nas rodovias brasileiras, por exemplo, um serviço médico ou de guincho que atendesse em menos de 10 minutos. Nem nos países mais desenvolvidos há este tipo de serviço. E hoje as rodovias brasileiras concessionadas disponibilizam isso.

HN – Números de pesquisa IPEA revelam que o Brasil gasta muito com acidentes. Esta evidência já não se traduz em um bom motivo para o Governo investir nas estradas e (ou) em quem possa administrá-las com competência?
HSG – Existe um grande esforço por parte das concessionárias para que a segurança nas rodovias aumente ainda mais porque a perda do País com acidentes é descabida. Além dos custos, temos as seqüelas, as vítimas. Em outras palavras quem arca com esta conta é a sociedade. Por isso esta sociedade entende melhor hoje o conceito de concessões. E esta será a grande tônica das concessões daqui para frente: o aumento da segurança na estradas e a diminuição dos acidentes.

HN – Quais são os próximos investimentos da Ecovias no quesito segurança?
HSG – Estamos fazendo, este ano, um investimento no trecho de serra da Anchieta de R$ 5,5 milhões. Este investimento é necessário porque há um número de acidentes ainda bastante significativo neste trecho por conta do excesso de velocidade. Vamos colocar nove lombadas eletrônicas neste segmento, mudando também toda a sinalização vertical e horizontal da rodovia, de modo a conscientizar e coibir o excesso de velocidade neste segmento.

HN – O fator segurança leva as concessionárias a buscar soluções diferenciadas dos fabricantes de infra-estrutura viária?
HSG – Por meio da necessidade de garantir a segurança, as concessionárias trouxeram novas tecnologias de outros países para cá. Este incremento só foi possível por meio da iniciativa privada. Com isso as fabricantes nacionais que tinham interesse em fornecer para as companhias foram desenvolvendo soluções cada vez mais adequadas. É um efeito cascata, que permite o desenvolvimento das empresas brasileiras.

HN – Como a Ecovias avalia os produtos Hot Line?
HSG – Certamente a Ecovias é a empresa que mais utiliza as soluções Hot Line, principalmente a linha de plástico a frio, que tem produtos muito resistentes. Esta parceria sempre foi muito importante para nós, principalmente no pós-venda. A Hot Line está sempre disponível e nos oferece suporte constante, atendendo às nossas necessidades.


HUMBERTO DE SOUZA GOMES: “O PAÍS AINDA PRECISA AMADURECER POLITICAMENTE EM RELAÇÃO AO MODELO DE CONCESSÃO”

 
 
 
Hot Line Indústria e Comércio Ltda.

Matriz: Av. Monteiro Lobato, nº 2.938 - Vila Miriam - Guarulhos/SP - CEP: 07190-000
Filial de fábrica: Rua Colônia Leopoldina, nº 434 - Jd. Nova Cumbica - Guarulhos / SP - CEP: 07220-040
Fone/Fax: (11) 2487-5743 E-mail: faleconosco@hotlinetintas.com.br
 
© Copyright 2007. Todos os direitos reservados. Bark - Web Design, Desenvolvimento de sites, Comércio Eletrônico, Intranets e CRM