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Entrevista com o Coordenador Geral de Operações Rodoviárias

QUEM É QUEM
Luiz Cláudio dos Santos Varejão


Nesta edição, uma entrevista com o Coordenador Geral de Operações Rodoviárias, da Diretoria de Infra-Estrutura Terrestre, do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). No cargo desde 2005, Luiz Cláudio dos Santos Varejão é formado em Ciências Econômicas pelas Faculdades Integradas Bennett (RJ), com pós-graduação em Mercados de Capitais, pela Fundação Getúlio Vargas (RJ) e MBA Executivo (Coppead/UFRJ). No DNIT desde 2002, Varejão atuou anteriormente no extinto DNER, no DTR/SEPRO (MT) e no DNTR/STT (Ministério da Infra-estrutura).

Hot News – Qual o principal projeto do DNIT no âmbito da sinalização no momento?
Luiz Cláudio dos Santos Varejão – Nesse aspecto, temos em andamento uma operação de grande porte, que é o Programa de Sinalização nas Rodovias Federais, o Pro Sinal, que, de modo geral, visa à melhoria das condi¬ções de tráfego, e principalmente, de segurança nas estradas.

HN - Quanto está sendo investido nesse programa?
LCSV – Um total de R$ 278 milhões, sendo R$ 137 milhões nesse primeiro ano. Vale dizer que o ano é considerado a par¬tir de julho deste ano até o final de doze meses. Ou seja, já alcançamos uma parte bas¬tante considerável da meta de dois anos de contrato em cerca de cinco meses. Estão sendo recuperados 48 mil quilôme¬tros de rodovias federais. Até a primeira semana de novembro, havíamos executado a sinaliza¬ção horizontal de 17.800 quilô¬metros de rodovias, de um total de 24 mil quilômetros que é a projeção para este ano.

HN - E em relação à sinali¬zação vertical?
LCSV – Também nesse mesmo período, implantamos placas verticais em 32 mil metros quadrados. A sinali¬zação vertical tem a caracte¬rística de ser um pouco mais demorada porque é necessário todo um projeto, mesmo assim boa parte de tachas, painéis de mensagens fixos e variáveis está instalada. Já temos dois editais para instalação de sis¬temas de controle de velocida¬de – radares fixos e lombadas – que controlarão quatro mil faixas, a fim de que se possa dar continuidade ao programa de controle de velocidade. Com as melhorias feitas até agora, já temos resultados de redu¬ção de 70% de acidentes nesses locais onde os sistemas foram instalados.

HN - Quais eram as condições das rodovias federais?
LCSV – Cerca de 60% da malha rodoviá¬ria podia ser considerada como “regular” ou “ruim”. Somente com o Pro Sinal atacamos 18 mil quilômetros de rodovias com sinalização horizontal. No momento, alguns estados, no Sul do país principalmente, apresentam uma conclusão de metas muito acentuada, com quase 100%. No Rio de Janeiro, temos quase 75%, com a sinalização de 400 quilômetros de estradas. Ou seja, concluímos 75% da malha em termos de sinalização horizontal e 33% da vertical para este ano.

HN - Como é feita a licitação para as empresas que prestam esse serviço do progra¬ma Pro Sinal?
LCSV – O DNIT parte do princípio de que precisamos contar com os melhores materiais e tecnologias. A licitação tem uma instrução de serviços e qualidade, que é uma norma interna do DNIT. São definidos critérios de produtividade e de qualidade de serviços, todos os materiais têm que estar certificados, com laudos de empresas competentes. Toda essa parte da qualidade é acompanhada por medições. Hoje recebemos quase um “livro” com todas as especificações, fotos, mapeando tudo isso. É a primeira vez que conseguimos inserir em um edital, critérios que contemplem toda essa questão de qualidade de materiais e de serviços.

HN - O que tem sido percebido nos forne¬cedores?
LCSV – Eu defendo que não existe material ruim, e sim material inadequado para deter¬minados tipos de pavimentos. A escolha dos materiais tem que ser feita de acordo com cada rodovia. No caso da sinalização vertical, todo material que utilizamos é refletivo; hoje não usamos mais as placas pintadas, porque elas estragam com mais facilidade. A gente procura criar um padrão de qualidade para cada situa¬ção. Por exemplo, nas áreas de maior incidência de neblina, usamos tintas à base de água. O DNIT tem hoje 48 mil quilômetros de estradas para cuidar, e não é uma coisa pequena. Além disso, é preciso levar em conta que trabalhamos com uma malha extensa, com uma grande diversidade climática, às vezes dentro de um mesmo Estado. Então, procuramos padronizar serviços, hoje temos instruções bem complexas, um manual detalhado para fiscalizar as garan¬tias de materiais e serviços.

HN - Quantas pessoas estão envolvidas nesse programa?
LCSV – Eu posso dizer que o DNIT inteiro. Apenas o programa Pro Sinal está gerando 5.200 postos de trabalho, sendo 1.800 diretos e 3.400 indiretos, para você ter uma idéia da força de trabalho envolvida. E aqui no DNIT não cuidamos apenas da sinalização ou somente desse programa. Eu mesmo viajo bastante para acompanhar o andamento de outros projetos no Brasil inteiro.

HN - Que projetos são esses?
LCSV – Bem, na semana passada estive no Rio Grande do Sul para verificar o anda¬mento junto às administrações municipais de um projeto de rodovia inteligente na BR 116. Esse projeto, no trecho que liga as cidades de Canoas e Dois Irmãos, envolve painéis de mensagens, sistema de serviço ao usuário, sinalização no modelo utilizado nas free way, as rodovias de grande volume de tráfego de países como os Estados Unidos, por exem¬plo. Ou seja, será uma rodovia totalmente monitorada on-line, e que inclui também um programa de revitalização e sinalização. É um projeto muito interessante, ao qual daremos curso em 2007. Também teremos, até o final do ano, um serviço de atendimento ao usuá¬rio, a partir de um programa-piloto instalado nas BR 060 e BR 153, e que oferecerá serviços de remoção de veículos, de mecânica e orientação de tráfego aos usuários.

HN - Quais são os principais projetos do DNIT em termos de ações preventivas?
LCSV – Mantemos um convênio com a Universidade de Santa Catarina para uma série de estudos acadêmicos, dentre os quais se des¬taca um projeto de educação infantil. Trata-se de um projeto-piloto que tem a finalidade de dinamizar a educação para o trânsito e que, a partir de Santa Catarina, será expandido para todo o Brasil. O DNIT tem essa preocupação de se aliar às universidades e demais centros de ensino acadêmicos sempre com essa finalidade de educação.

HN - Além desse projeto, o que mais vem por aí?
LCSV – Está em andamento um Plano Diretor de Pesagem, em convênio com o exército bra¬sileiro, que mantém o Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (Centran). Por meio desse convênio, o DNIT refez o plano diretor de contagem volumétrica, com estudos, metodolo¬gias, legislações, enfim, reestudamos os postos de pesagem e, em julho, entregamos esse relató¬rio estratégico. Nele foi apontada a necessidade de instalação de 220 balanças em rodovias fede¬rais, sendo 68 fixas e 72 móveis. O objetivo é melhorar as condições de fiscalização de controle de excesso de peso. Nesse momento, estamos estudando estrategicamente com o exército os pontos onde haverá essa necessidade. Até o final do ano, teremos a minuta do edital para que o DNIT possa tomar as decisões, e a fim de que governo possa implementar esse plano.

Varejão: principal programa do DNIT no momento é o Pro Sinal, que abrange 48 mil quilômetros de estradas
 
 
 
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