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TECNOLOGIA BRASILEIRA NO PÓDIUM

* Áurea Rangel


“(...) e quando chove estas faixas viram um sabão (sic).” A frase é do narrador esportivo Galvão Bueno durante a transmissão do Grande Prêmio de Mônaco 2006, o único circuito de rua de toda a Fórmula 1. Ao seu lado, o comentarista e piloto Luciano Burti concordou por experiência própria. Ex-piloto de testes de Fórmula 1, Burti já sentiu na pele os 3.340 km do traçado de Mônaco.

No Principado, a geografia, por si só, já é uma experiência e tanto para os profissionais do automobilismo: curvas sinuosas, túnel e praticamente nenhum ponto de ultrapassagem dão um toque ainda mais emocionante à corrida. Mas emoção demais faz mal. Ainda mais quando se fala em máquinas que trafegam a uma velocidade média de 200 km /hora escorregando os caros pneus em faixas de sinalização viária.

E se para um piloto de Grande Prêmio – que conta com uma série de aparatos para garantir sua integridade física – a falta de aderência nas pistas é um risco a ser considerado, o que dizer de um mero motorista, usuário de vias públicas como as de Monte Carlo? Que ele poderia ter seus passeios pela charmosa cidade menos escorregadios, caso a prefeitura utilizasse soluções já existente no setor para a sinalização horizontal do pavimento.

Possivelmente não é por falta de recursos que nesta região - que possui um dos metros quadrados mais caros do planeta – as faixas pintadas para orientar o tráfego na cidade pequem pela eficiência, promovendo escorregões dos autos. Mas, talvez, por falta de conhecimento do que existe de tecnologia no mercado para promover uma aderência adequada dos pneus mesmo em condições climáticas adversas.

Mal comparando, no Brasil, duas serras lembram a sinuosidade das vias urbanas de Mônaco: as rodovias que cortam a Serra das Araras e a de Petrópolis, ambas no Rio de Janeiro. As condições climáticas destas estradas – umidade, com excesso de chuva e neblina – pediam por uma sinalização que funcionasse sob estas intempéries, protegendo os motoristas de derrapagens e outros acidentes. Depois de análise de uma série de produtos encontraram, aqui mesmo, fabricantes que conseguiram resolver a questão: ambas as serras tornaram-se mais seguras depois que a sinalização aplicada em suas extensões levaram em conta todos os fatores, promovendo mais atrito dos pneus mesmo com pista molhada; considerando o desgaste da tinta graças à geografia talhada por curvas; e a necessária eficiência em termos de retrorrefletância para que os motoristas consigam visibilidade dia ou noite. Faça chuva ou faça sol.



* Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais e diretora executiva da Hot Line.

 
 
 
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