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1ª SEMANA MUNDIAL DAS NAÇÕES UNIDAS EM PROL DA SEGURANÇA VIÁRIA

* Áurea Rangel


Entre os dias 23 e 29 de abril a ONU (Organização das Nações Unidas) promoveu a 1ª Semana Mundial das Nações Unidas de Segurança Viária. Se por um lado a mobilização é importante para conscientizar a população sobre a gravidade do problema dos acidentes no trânsito, por outro é alarmante observar alguns dados levantados pela Organização Mundial de Saúde que, de certa forma, impulsionaram a idéia de promover uma semana de discussões à respeito deste tema.

Segundo o relatório da ONU, cerca de 1,2 milhão morrem vítimas de acidentes rodoviários todos os anos. Isso significa 2,1% da mortalidade mundial. Deste total, 40% das mortes são de crianças e jovens entre 0 e 25 anos, sendo que, destes, 75% são homens. De acordo com as projeções da OMS, se nada for feito sobre a questão, em 2030, esta será a oitava causa de morte entre as pessoas desta faixa etária.

Como se as notícias ruins não fossem suficientes 85% deste total de mortes ocorrem por colisões em países pobres ou em desenvolvimento, como o Brasil. O custo social destes acidentes nestas regiões é de 1 a 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) anual. Dava para amenizar o problema da fome, por exemplo.

Mas o mais gritante de todo este estudo não são os números, mas sim a conclusão de que não podemos apenas rotular estas percentagens como meros acidentes. Isso porque já foi comprovado com a obrigatoriedade do uso de equipamentos veiculares de segurança, que estas estatísticas podem ser reduzidas drasticamente desde que a consciência pela vida aumente. E este fato vem ocorrendo. Para o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o número de vítimas em acidentes viários cai mundialmente porque há um esforço consciente de muitas administrações e setores do governo. Estima-se, por exemplo, que até 50% das mortes no trânsito podem ser reduzidas com o uso do cinto de segurança. Outras tantas com a diminuição do consumo de álcool, com o controle da velocidade e com uma melhor infra-estrutura das estradas. Por este último aspecto, podemos afirmar não ser por acaso que os maiores índices de mortes em estradas se concentram em países pobres, nos quais, fatalmente, a preocupação com a qualidade das pistas não está entre as prioridades.

Estudo do SOS Estradas indica que 42 mil pessoas morrem por ano vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, sendo que, deste total, 24 mil são vítimas das rodovias. Ainda segundo este levantamento, acontecem, por dia nas estradas brasileiras, 723 acidentes, que vitimam, de modo fatal, 65 pessoas.

Diante deste quadro nacional é possível afirmar que a repercussão desta iniciativa da ONU é bem-vinda por aqui também. Não só porque é necessário conscientizar motoristas sobre a responsabilidade que é dirigir com prudência, seguindo normas de conduta de trânsito. Mas porque também quem é responsável pela infra-estrutura viária assina embaixo destas tristes estatísticas.

A malha rodoviária brasileira é deficitária. Para se ter uma idéia, temos a segunda maior malha rodoviária do mundo. São cerca de 1,7 milhão de quilômetros, perdendo apenas para os Estados Unidos. A má notícia é que menos de 10% deste total encontra-se pavimentado e devidamente sinalizado. E nesta pequena porcentagem encontram-se as estradas administradas pela iniciativa privada. Desde a privatização até 2005, as operadoras aplicaram R$ 5 bilhões de reais em reforma, ampliação e manutenção de 10 mil quilômetros de estradas. Hoje, 19 das 20 melhores rodovias brasileiras estão sob administração privada. Não existe outro remédio: para deixar o país em condições de enfrentar os desafios do século 21, somente com grandes investimentos promovido por particulares.





* Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais e diretora executiva da Hot Line.

 
 
 
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