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MULHERES DE ESPARTA DO SÉCULO 21

* Áurea Rangel

Conhecida por seu poderio militar, Esparta entrou para a história pela bravura de seus soldados treinados desde a tenra idade para servirem ao exército. Mas a imagem de uma cidade de lendas sanguinárias em que o único objetivo era a guerra não faz jus à vocação política de Esparta. Ela esteve entre as primeiras cidades gregas a criar um governo constitucional, no qual todo cidadão era igual diante da lei e seus exércitos foram vistos como libertadores perto da ambição de Atenas. O povo podia eleger seus políticos e as mulheres tinham direitos, sendo consideradas as mais livres da Grécia Antiga.

O mundo ficou maior e mais complexo desde então. Não há o que discutir quando afirmamos que a mulher alcançou um papel de destaque no universo dos negócios, há pouco restrito aos homens. Mas neste caso não existe uma única verdade. A busca pela equiparação entre os gêneros é um fenômeno ainda recente: historicamente não vai tão longe o incêndio na fábrica têxtil de Nova York, que vitimou 146 mulheres em 1911 e teria inspirado a comemoração do Dia Internacional da Mulher. A falta de acomodação histórica pode ser a razão para que o ser feminino ainda causa incômodo em alguns setores, principalmente quando falamos de mulheres gestoras, que estão ali para dar a cartada final. Não podemos negar que em áreas onde os homens dominam o mercado este fato não é bem digerido. Mas o que tenderia a ser uma situação constrangedora pode-se tornar um motivo a mais para o aprendizado. Para ambos os sexos.

Absolutamente não há diversão nenhuma no subjugo feminino ou em qualquer outro tipo de discriminação. Mas olhar a discriminação, falar sobre ela, dar ênfase em discursos inflamados pode ser um tiro que sai pela culatra. Ignorar que haja espaço para qualquer tipo de retaliação voltada à mulher em um cargo de comando parece a melhor maneira de se lidar com a situação. O tempo se encarrega de sepultar qualquer tipo de discriminação.

A mulher tem a vantagem de poder se valer de sua competência adquirida e de uma sensibilidade extra para traçar diferenciais em seu perfil profissional. Ciente de sua aptidão para situações decisórias, ela vai saber bater o martelo sem se deixar abalar por supostas dúvidas masculinas à respeito de sua competência em como agir. Esta mesma convicção e diretriz não a deixará desviar-se de seu foco. Portanto, assédios morais ou sexuais tenderão a não encontrar espaço e, com isso, perdem força.

É fato que não há um modus operandi ou um manual certeiro de como a mulher deve agir para ser bem-sucedida em seu trabalho como gestora, sem sofrer discriminação. Mas a determinação e o pragmatismo unem profissionais sérios em um grupo único, que independe do gênero. Segue junto quem quer trabalhar. Quem se perde levantando bandeiras a favor do feminismo ou contra o machismo ficará para traz assim como quem se vir no direito de discriminar. Sentir-se-ão arcaicos. Ficam patéticos.

Esta discussão, porém, se restringe à suposta queda de braço entre homens e mulheres, no sentido de mensurar força de gestão administrativa profissional. Mas a discrepância salarial entre homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo é um câncer mundial e que precisa ser extirpado. Também são as mulheres as primeiras da lista de demissões sob a alegação de que os homens são os pais de família e, portanto, provedores do lar, quando sabemos que, há tempos, não é mais assim que uma família necessariamente funciona.

Todo profissional primeiro vende a sua imagem e depois seus produtos e serviços. E, por imagem, devemos entender não apenas a aparência, mas a maneira correta de falar, a coerência no agir, o conhecimento profundo do que se fala. Este é o cartão de visitas que dispensa maiores apresentações. E são as guerreiras de Esparta em versão executiva pós-moderna quem o tira das bolsas.


*Áurea Rangel é diretora executiva da Hot Line, fabricante de tintas para sinalização horizontal. É química, mestre em engenharia de materiais e especialista em sinalização horizontal e infra-estrutura viária.

 
 
 
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