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MÃOS À OBRA

* Áurea Rangel

Terminou a fase da teoria e ingressamos – com muito tempo de atraso – na era do fazer. Aos poucos as concessionárias já começam a colocar a mão na massa para tentar correr atrás – e é preciso fôlego de maratonista – dos prejuízos nos trechos de estradas federais que passam para suas jurisdições. A primeira etapa de intervenções durará seis meses e prevê a reforma de pavimentos danificados, o início da operação tapa-buracos, limpeza de canteiros centrais e laterais, pintura das faixas de rodagem e a recuperação da sinalização vertical e horizontal de maneira geral.

Ao mesmo tempo em que estiver executando as obras, a concessionária poderá iniciar a construção das praças de pedágio. Em todos os sete lotes arrematados, a OHL, por exemplo, deverá instalar 29 praças. A cobrança de pedágios começa em julho. Assim que o valor das tarifas passar a sair do bolso do usuário, as empresas já terão de disponibilizar ambulâncias, telefones, guinchos e caminhões para apóio aos motoristas. Apenas o investimento nos primeiros seis meses da OHL será de R$ 706 milhões, sendo que a Fernão Dias vai receber R$ 142 milhões e a Régis Bittencourt, R$ 124 milhões.

Mas os avanços não ficam por aí. Além destas obras básicas, as empresas farão uma série de melhorias nas estradas durante o período de exploração, de acordo com o que está previsto no edital do leilão promovido pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). A duplicação de pistas, a execução de terceiras faixas, a construção de viadutos e a conservação dos acessos às estradas fazem parte deste pacote. Em 25 anos, os investimentos da OHL serão de R$ 9,7 bilhões.

São recursos incabíveis se formos pensar nos cofres da União como provedores. Mas as cifras que estarão em breve à serviço de uma viagem segura. Para o diretor de Associação Brasileira de Concessionários de Rodovias, Moacyr Duarte, o processo de concessão é uma mostra de que “o governo se deu conta de que não existem recursos suficientes para investir em novas rodovias e ainda manter as já existentes”.

O fato é que sustentar rodovias com recursos exclusivamente públicos não é tarefa fácil e isso não é uma exclusividade do Brasil. No mundo inteiro ocorre esta situação. Como não se consegue mais manter e expandir malhas rodoviárias, os Governos chamam a iniciativa privada para participar deste negócio que torna-se lucrativo para os três elos da corrente: União, concessionária e usuário. O usuário não se assusta mais com o fato de ter que pagar pedágio. Longe de ser retórica, esta máxima já foi comprovada em pesquisas. O susto fica por conta da falta de uma sinalização de solo adequada em uma curva perigosa em dia de chuva. Descasos como estes sim assombram o motorista


*Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais e especialista em sinalização horizontal e infra-estrutura viária.

 
 
 
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