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ESTRADAS BRASILEIRAS: A MORTE PEDE CARONA
* Áurea Rangel O título deste artigo não remete à tradução do nome de
um filme de suspense (The hitcher, no original), um
remake de uma produção norte-americana de 1986.
Infelizmente, em se tratando das estradas
brasileiras, a morte pede carona está longe de ser
ficção. Levantamento divulgado recentemente pela
ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos)
aponta que entre os anos de 2003 e 2006 o trânsito
brasileiro - ruas e rodovias - levou 34 mil pessoas
a óbito no País. Outras 100 mil tiveram deficiências
permanentes e 400 mil ficaram feridas.
Estes números deixam claro que trafegar por ruas e
estradas brasileiras é uma aventura perigosa. Mas,
além disso, mostram que o Brasil fica mais pobre a
cada acidente. Ainda segundo a ANTP, os custos
anuais com acidentes de trânsito são da ordem de R$
28 bilhões. Não existem estatísticas atuais que
apontem quantos por centro destes acidentes são
provocados por imprudência do condutor e quantos por
falta de infra-estrutura das pistas. Mas estes dois
aspectos podem ser relacionados como importantes.
PPara aumentar a consciência da necessidade de seguir
as normas de trânsito, o Governo tem pouco a fazer:
multas, campanhas em prol da direção segura e não
muito além. Mas para evitar que as vias sejam as
responsáveis - porque esta sim é uma
responsabilidade do Estado - elas devem ser geridas
por quem pode fazer isso com competência e critério.
E o Poder Público não tem feito jus a este encargo.
Entre os dias 4 e 6 de outubro acontece o 5º
Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões - CBR&C 2007, em Campinas, no interior de São Paulo. O
evento organizado pela ABCR (Associação Brasileira
de Concessionárias de Rodovias) visa reunir
autoridades de trânsito, empresas do setor e
especialistas em infra-estrutura viária para
discutir o futuro das rodovias e das concessões. A
chamada social para este assunto, mais uma vez, é
dada pela iniciativa privada. Enquanto isso, o
Governo Federal se abstém de efetivar, com a
urgência que a situação exige, programas como o Pró
Sinal.
A última novidade de Brasília é o PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento), que promete unir forças
entre investidores privados e Governo para alavancar
a recuperação da infra-estrutura viária brasileira.
As concessões estão no cardápio da PAC. A solução
que já se mostrou estratégica e certeira para
melhorar as condições das estradas foi sabiamente
adotada pelo Governo. Queremos crer que o mais novo
xodó da administração Lula venha para ser efetivado
e não padeça como mais um projeto oco.
O País já está atrasado para sanear sua malha
rodoviária. Pesquisa 2006 da CNT (Confederação
Nacional dos Transportes) revelou que 70,3% da
extensão pesquisada apresenta sinalização com
problemas (59.309 km). Apenas cerca de 11% das
estradas foram consideradas em ótimas condições pelo
estudo. É muito pouco para um País que tem sede de
desenvolvimento e onde cerca de 60% do transporte de
cargas é feito por vias terrestres.
O Congresso da ABCR é a prova de que as
concessionárias de rodovias estão em sintonia com as
empresas que desenvolvem soluções para o setor
viário do País. E de que a administração privada das
rodovias não é mais apenas uma alternativa para
melhorar a infra-estrutura nacional. Com dez anos de
estrada, as concessões já provaram sua eficácia e
seu comprometimento com o desenvolvimento. O preço a
pagar são os pedágios. Caros para o bolso do
contribuinte. Como são onerosos os tributos que
pagamos todos os meses para, teoricamente, termos
acesso a sistemas de saúde e educacional
competentes. E não os temos. Pagamos sem levar. No
caso das rodovias pedagiadas, pelo menos, é um toma
lá dá cá: é o preço para termos condições de tráfego
adequadas.
*Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de
materiais e especialista em sinalização horizontal e
infra-estrutura viária.
WR Comunicação
Jornalista responsável: Wal Reis MTB 25.176
Tel/fax: (11) 4229-6971
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