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E O RETORNO, CADÊ?

* Áurea Rangel

O ano de 2008, com certeza, ficará marcado, pelo menos na capital paulista, pelas mudanças ocasionadas pela aprovação de leis mais severas e que envolvem diretamente o trânsito brasileiro – tanto na esfera municipal quanto na federal - e o quanto essas transformações impactaram na rotina diária de milhões de pessoas.

Sancionada em meados de Junho à nova lei relacionada à bebida alcoólica regulou drasticamente, ao máximo de 0,2%, o nível de álcool no sangue dos condutores de veículos. O resultado foi que sob os holofotes de grandes meios de comunicação acompanhamos, em alguns casos ao vivo, blitz espalhadas por toda a cidade, motoristas sendo presos e um número incontável de multas sendo aplicadas em quem infringia a lei - multa de R$ 955,00 e a suspensão do direito de dirigir por um ano.

A linha dura valeu ao Brasil a classificação entre os vinte países mais rigorosos do mundo (limite de um copo de chope), e caso ultrapasse os 6 decigramas a punição é variável entre seis meses até três anos.

E não parou por aí, pouco mais de um mês depois o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou o rodízio para os caminhões, fazendo-os deixar de circular em pelo menos um dia da semana - a intenção inicial era de tirar ao menos 45.000 caminhões/dia, além de impor um novo horário das 05 às 21 horas - os caminhoneiros que desrespeitam a lei tem que pagar multa de R$ 85,75, e mais quatro pontos na carteira, segundo dados divulgados na grande imprensa, a CET aplicou mais de 17.544 multas por violação às novas regras no primeiro mês.

Hoje, mais de dois meses depois, me pergunto: - Onde está o retorno dessa arrecadação?

Não são foco desse artigo os desdobramentos dessas leis e o quanto elas podem ser positivas ou negativas para determinados setores da economia, mas sim questionar: - Qual será o caminho que o dinheiro oriundo dessas multas irá percorrer?

Se os caminhoneiros são obrigados a conduzirem durante a madrugada o que está sendo feito pela sua segurança?

Não apenas relativo ao zelo de seu patrimônio, mas em relação ao seu bem maior, sua própria vida?

O que está sendo investido em sinalização viária (horizontal e vertical) de qualidade e que permita a esses pais de famílias guiarem sob forte chuva ou neblina com a tranqüilidade de estarem sendo norteados por uma demarcação que realmente cumpra a função de posicioná-los no trânsito, informando-os corretamente para que evitem acidentes ou mesmo corram riscos desnecessários?

Pela capital - faixas estão apagadas, tachas estão quebradas e com refletivos de baixíssima eficiência, faixas de pedestres somem nas portas das escolas e em avenidas de grande movimento - conseqüentemente o pedestre, assim como o motorista, sente-se perdido em como proceder em relação a sua conduta, favorecendo assim, mesmo que involuntariamente, o aumento do número de acidentes.

É evidente que se durante a noite o transito é menor, a velocidade dos caminhões também será maior, no limite permitido, porém, alta para um veículo pesado; e é exatamente nesse momento que o cidadão, aquele mesmo que paga seus impostos e suas “multas” necessita de uma sinalização eficaz.

Se não beber é o que se espera dos motoristas, se não adentrar no centro urbano é o que se espera dos transportadores e caminhoneiros - esperamos todos nós, munícipes dessa agitada metrópole - a devolutiva do poder público agindo de maneira rápida, fazendo uso eficiente e condizente de todo erário que está sendo angariado com as novas lições aplicadas a nós condutores.

Só assim com ações práticas e resultados evidentes é que se consolida e se conquista ainda mais confiança!


* Áurea Rangel é mestre em engenharia de materiais, especialista em infra-estrutura viária horizontal e Diretora Executiva da Hot Line Tintas.

 
 
 
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