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TURISMO AÉREO VAI FICAR - MAIS UMA VEZ - A VER NAVIOS

* Áurea Rangel


O setor de turismo aéreo está amargando com a crise que se abateu no sistema aeroportuário brasileiro desde o último semestre de 2006. Primeiro foram os controladores de vôo, mais recentemente as chuvas que afetam a segurança das aeronaves nos pousos e decolagens. Menos de 15 dias antes do Carnaval, feriado no qual ocorre grande deslocamento por transporte aéreo, outra arremetida: decreto assinado por juiz da 22ª Vara Cível Federal de São Paulo, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), determina a proibição de operações das aeronaves Fokker 100 e Boeings 737-800 e 737-700 no aeroporto de Congonhas. O motivo são as derrapagens constantes nos dias de chuva. Com a medida, empresas que operam com estes aviões deverão realizar suas operações em Cumbica, o que, prevêem os especialistas, provocará um efeito dominó: mais aeronaves em Guarulhos, mais tráfego, novos atrasos. E, novamente nas vésperas de um feriado.

Inseguras, as pessoas andam com medo de adquirirem pacotes aéreos ou de comprarem bilhetes sob o risco de não chegarem a seus destinos nos prazos corretos e amargarem horas em salas de embarque. Cenas que foram comuns no Natal 2006. E o caos de final de ano só não foi maior porque nem todos que deveriam viajar criaram coragem. Para se ter uma idéia, o volume de vendas de pacotes turísticos para dezembro caiu 8%, segundo dados da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav). Em compensação, para a entidade, houve, no ano passado, um aumento de cerca de 50% nas vendas de pacotes marítimos e 41% de rodoviários. Já pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou queda na disposição de o brasileiro viajar de avião: de 45,2% em outubro para 35,7% em novembro.

Mas a opção por viagens rodoviárias carrega um outro problema na bagagem. Em recente avaliação, a Associação Nacional do Transporte de Cargas (ANTC) divulgou que 80% das estradas brasileiras são classificadas entre deficientes e péssimas. Resultado: o crescimento do tráfego de veículos por caminhos sem condições adequadas de sinalização ou pavimento promove o aumento de acidentes. O fato é que o turismo rodoviário no Brasil sofre com a falta de estradas viáveis para crescer na proporção que merece.

E parece que, neste ponto, estradas e pistas aeroportuárias têm algo em comum: a falta de infra-estrutura adequada para servirem a seus objetivos. Comprovadamente, Congonhas precisa de uma reestruturação que agregue materiais eficientes a seu pavimento e sinalização. Produtos que façam com que as intempéries climáticas não sejam responsáveis pela paralisação de suas atividades.

Não é diferente com as estradas. Para o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Servilha Duarte, a alternativa para tornar as estradas brasileiras trafegáveis é somar os investimentos da iniciativa privada e cobrança de pedágios nos principais eixos com os investimentos públicos nas estradas secundárias. Isso porque construir estradas não basta, se a otimização dos recursos das rodovias - sinalização, pavimento, serviços aos usuários - não forem constantemente aprimorados. A indústria brasileira do setor de sinalização, por exemplo, segue pela mão única buscando desenvolver produtos que aliem durabilidade, segurança e eficácia. Pode-se afirmar que - com recursos disponíveis e vontade de fazer bem feito - setores público e privado encontram aliados munidos de tecnologia e ótima relação custo X benefício para executar a infra-estrutura viária do País. Precisamos chamar a atenção para esta importante questão econômica o quanto antes. Para que o turista brasileiro não fique, apenas, a ver navios.



* Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais e diretora executiva da Hot Line.

 
 
 
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